Celebrado nesta terça-feira (28), o Dia do Motociclista chama atenção para um cenário preocupante no Brasil. O país ocupa a terceira posição no mundo em número absoluto de mortes no trânsito, atrás apenas da Índia e da China.
De acordo com dados do estudo Cenário da Mortalidade de Motociclistas no Brasil, do Observatório Nacional de Segurança Viária, e do Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a taxa de mortalidade no trânsito aumentou de 15,8 óbitos por 100 mil habitantes, em 2019, para 18 em 2024, totalizando mais de 38 mil mortes no último ano.
As motocicletas são hoje o principal fator de mortalidade no trânsito brasileiro, respondendo por mais de 40% das mortes na maioria dos estados. Atualmente, cerca de 33 motociclistas perdem a vida todos os dias no país.
Os especialistas atribuem esse aumento ao crescimento acelerado da frota de motocicletas, que passou de 2,7 milhões de veículos, em 1996, para aproximadamente 34 milhões em 2023. O avanço foi impulsionado pelo crédito facilitado, menor custo em relação aos automóveis e pela deficiência do transporte público, especialmente em cidades do interior.
Outro fator apontado é a vulnerabilidade dos motociclistas. Diferentemente dos carros, as motos não possuem estrutura de proteção capaz de absorver impactos, o que torna o risco de morte em acidentes significativamente maior.
Além disso, a motocicleta passou a ser uma importante ferramenta de trabalho. Com a expansão dos aplicativos de entrega e transporte, milhares de brasileiros passaram a depender da moto como principal fonte de renda, aumentando a exposição ao trânsito e aos riscos diários.
Especialistas defendem que a redução do número de mortes depende de um conjunto de medidas, como melhorias na formação dos condutores, reforço na fiscalização, investimentos em infraestrutura viária e transporte público, além de políticas que garantam mais segurança aos profissionais que utilizam a motocicleta para trabalhar.









