O Brasil registrou 140.280 denúncias de violência física contra crianças e adolescentes nos primeiros seis meses de 2026, um aumento de 17,25% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 119.621 casos. Os dados são do painel do Ministério dos Direitos Humanos e evidenciam o agravamento da violência infantojuvenil no país.
O crescimento das ocorrências se reflete em casos de grande repercussão, como o de um homem de 31 anos que foi flagrado agredindo a própria filha, de apenas 3 anos, no município de Francisco Beltrão, no Paraná, no início deste mês.
As meninas aparecem como as principais vítimas das denúncias. Em 2026, elas representam 50,89% dos casos registrados, com 66.981 notificações, enquanto os meninos somam 51.754 ocorrências, correspondendo a 39,32% do total.
Entre os tipos de violência, a exposição de risco à saúde lidera as estatísticas, com 119.793 registros, seguida pelos maus-tratos, que alcançaram 88.037 ocorrências. Também houve aumento nas denúncias de agressão ou vias de fato, que chegaram a 50.535 casos, enquanto as lesões corporais apresentaram o maior crescimento proporcional, totalizando 20.878 registros no primeiro semestre.
Segundo especialistas, crianças e adolescentes vítimas de violência costumam apresentar mudanças significativas no comportamento. A psicóloga clínica Lorrany Barreto explica que crianças pequenas podem regredir no desenvolvimento, voltando a fazer xixi na cama, chorando com frequência ou retomando comportamentos típicos da primeira infância. Já entre os adolescentes, os sinais podem incluir agressividade, isolamento, automutilação, uso de drogas e perda de interesse pela vida.
A especialista alerta ainda que crianças excessivamente quietas, obedientes ou preocupadas em agradar os adultos podem estar desenvolvendo estratégias para evitar novas agressões, e não demonstrando maturidade. Ela ressalta que a violência na infância pode comprometer o desenvolvimento cerebral, afetando a memória, a aprendizagem, o controle das emoções e a capacidade de estabelecer relações saudáveis ao longo da vida.
As denúncias podem ser feitas por meio do Disque 100, serviço gratuito e disponível 24 horas por dia, que recebe relatos de possíveis violações de direitos humanos contra crianças, adolescentes e outros grupos vulneráveis. O Ministério dos Direitos Humanos destaca que os registros representam denúncias de possíveis violações e que a confirmação dos fatos depende da investigação dos órgãos competentes e do sistema de Justiça.









