Moradores e turistas de Barbalha, Crato e Juazeiro do Norte têm relatado uma prática recorrente envolvendo motoristas de aplicativos de transporte na região do Cariri. Segundo as denúncias, muitos condutores se recusam a realizar corridas pelos valores estipulados pelas plataformas e passam a exigir pagamentos extras, que chegam a ser até cinco vezes superiores ao preço original do trajeto.
De acordo com os relatos, após aceitarem a corrida, alguns motoristas entram em contato pelo chat do aplicativo solicitando um valor adicional, a ser pago via Pix, em dinheiro ou como gorjeta dentro do próprio app. Caso o passageiro não aceite ou tente negociar, a viagem costuma ser cancelada.
“Eles aceitam a corrida e logo perguntam se podemos pagar um valor a mais. Se não concordarmos, cancelam. A gente acaba aceitando para não ficar sem transporte”, afirmou um morador da região, que preferiu não se identificar, em entrevista ao Jornalismo da Jangadeiro.
Uma turista que esteve no Cariri neste fim de semana também relatou a situação. Em uma corrida de cerca de 2 km, cujo valor era de R$ 8 pelo aplicativo, o motorista pediu uma gorjeta de R$ 20. Ao tentar negociar e oferecer R$ 15, a viagem foi cancelada. No dia seguinte, em um percurso de aproximadamente 8 km, outro condutor solicitou R$ 20 adicionais, quantia que ela acabou aceitando para conseguir se deslocar.
Segundo os entrevistados, muitos usuários deixam de denunciar a prática às plataformas por receio de represálias ou de serem identificados pelos motoristas. Os condutores, por sua vez, justificam a cobrança extra alegando que o valor repassado pelos aplicativos não seria suficiente, afirmando que as empresas chegam a reter até 45% do preço da corrida.
Em nota, a Uber informou que a cobrança de qualquer valor fora do que é calculado e exibido no aplicativo configura violação dos Termos e Condições da plataforma. A empresa orienta que os usuários denunciem casos de cobrança adicional diretamente pelo app. “A Uber conta com equipes e tecnologias que analisam viagens suspeitas para identificar violações e, se confirmadas, adotar as medidas cabíveis”, afirmou a empresa.








