Apesar da queda no desemprego no Ceará, empresas de diversos setores têm enfrentado um novo desafio: a falta de mão de obra. O cenário revela um descompasso entre a oferta de trabalhadores e a demanda das empresas, impactando diretamente o ritmo de crescimento econômico no Estado.
De acordo com dados do IBGE, a taxa de desemprego no Ceará chegou a cerca de 5% no quarto trimestre de 2025 — o menor nível desde o início da série histórica em 2014. Apesar do resultado positivo, o mercado de trabalho apresenta sinais de tensão, com empresas relatando dificuldades para preencher vagas.
Especialistas apontam que o problema está ligado a um descompasso estrutural entre oferta e demanda de mão de obra, especialmente em funções que exigem maior qualificação. Além disso, cresce o número de pessoas optando por atividades autônomas ou informais, o que reduz a disponibilidade de trabalhadores para empregos formais.
A informalidade, inclusive, segue elevada. O Ceará aparece entre os estados com maior percentual de trabalhadores por conta própria e ocupa posição de destaque no ranking nacional de informalidade, com cerca de metade da população ocupada nessa condição.
Setores como comércio, serviços, construção civil e panificação estão entre os mais afetados. Levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC) indicou que mais da metade das ocupações do comércio já apresentava dificuldade de contratação. Na panificação, por exemplo, a demanda por profissionais chega a milhares de vagas não preenchidas.
Na construção civil, o cenário também preocupa. Mesmo com salários considerados atrativos, empresas relatam dificuldade em encontrar trabalhadores interessados, reflexo de mudanças no perfil das novas gerações e da migração de profissionais para outras áreas.
O setor de bares e restaurantes enfrenta situação semelhante, com impacto direto na expansão dos negócios. A falta de funcionários limita a abertura de novas unidades e até a ampliação de horários de funcionamento, além de aumentar custos e dificultar a gestão das empresas.
Entre os fatores que ajudam a explicar esse cenário estão a busca por melhores condições de trabalho, maior interesse por atividades digitais e informais, além da influência de programas de transferência de renda. Especialistas também destacam que trabalhadores têm elevado o nível de exigência salarial antes de aceitar vagas formais.
A tendência, segundo economistas, é que o mercado de trabalho continue aquecido ao longo de 2026, com desemprego em níveis baixos, mas ainda acompanhado por dificuldades de contratação. O desafio, agora, será adaptar as políticas de emprego e as estratégias empresariais para atrair e reter profissionais.
- Fonte>Jornal O Povo









